Investigação sobre restrição de crescimento fetal vence Prémio MSD

Data: 2019-09-25

O projeto de investigação de tratamento da restrição de crescimento fetal, da equipa médica-científica da Maternidade Dr. Alfredo da Costa (MAC), foi o grande vencedor da 1.ª edição do Prémio MSD de Investigação em Saúde, promovido pela MSD Portugal, e cuja cerimónia se realizou a 21 de setembro, no Centro Cultural de Belém. A equipa, liderada pela médica interna Catarina Palma dos Reis, vai receber um prémio no valor pecuniário de 10 mil euros para implementação do projeto.

A restrição do crescimento fetal (FGR) é um problema que afeta milhares de mulheres em todo o mundo e, atualmente, não tem tratamento. Segundo um comunicado da MSD, esta patologia, que se reflete na falta de oxigénio e nutrientes para o feto, verifica-se quando o potencial de crescimento geneticamente predeterminado não é atingido pelo feto e é diagnosticado quando detetado um peso fetal estimado inferir ao percentil 10 para a idade gestacional. A FGR é a segunda principal causa de morte perinatal, estando associada a 30% dos casos, e é responsável por até 40% dos nascimentos prematuros induzidos.

O objetivo do projeto vencedor é avaliar se a administração de heparina de baixo peso molecular tem impacto no tratamento da FGR e, desta forma, contribuir para a diminuição do risco de morte fetal, redução do número de nascimentos de bebés muito prematuros e, consequentemente, diminuição das complicações com impacto na saúde futura do bebé.

A equipa liderada pela médica Catarina Palma dos Reis explica que a gestão da FGR, diagnosticada antes das 32 semanas, é limitada à monitorização dos parâmetros de bem-estar do feto, havendo uma necessidade especial de intervenções terapêuticas que possam salvar mais bebés. No entanto, no contacto diário com as pacientes, a equipa percebeu que a heparina de baixo peso molecular (HBPM) não afeta o bem-estar das grávidas e que tem sido sugerida como um possível agente terapêutico pelas suas propriedades anticoagulantes e anti-inflamatórias.

Nesta 1º edição do Prémio MSD de Investigação em Saúde foram ainda entregues Menções Honrosas a outros dois projetos finalistas, um deles sobre angiogénese terapêutica no tratamento de feridas crónicas; o outro sobre a função autonómica como preditor de deterioração cognitiva após a cirurgia de estimulação cerebral profunda do núcleo subtalâmico na doença de Parkinson.

Esta primeira edição do Prémio MSD Investigação em Saúde, que decorreu no âmbito da conferência Leading Inovation Changing Lives, contou com 100 candidaturas, submetidas por equipas de instituições científicas de todo o país. Dos 15 distritos identificados, destacam-se as cidades do Porto, Lisboa e Coimbra. Ao todo, estiveram envolvidos mais de 300 profissionais de saúde, de 58 entidades. A Cardiologia, Oncologia e Endocrinologia destacaram-se entre as 28 áreas de interesse dos projetos submetidos para a apreciação do júri.

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